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11 de agosto de 2016 07:28

Apesar da crise, Brasil é um dos melhores investimentos deste ano

Por Redação Silvia Helena

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O Brasil pode até estar às voltas com um escândalo de corrupção, o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a epidemia do vírus zika. Mas, no momento em que o Rio dá início à sua Olimpíada — também assolada por vários problemas logísticos — os mercados brasileiros têm despontado como o melhor lugar para o investidor ganhar dinheiro este ano.

O índice MSCI Brasil acumula alta de 58% em 2016, atrás apenas do Peru numa lista de 165 índices de países compilada pela firma de dados financeiros MSCI Inc. Já o índice global diversificado do banco americano J.P. Morgan para títulos de mercados emergentes registrou uma alta de 24% para o Brasil, o terceiro melhor desempenho entre 66 países. Além disso, os títulos corporativos brasileiros já subiram 22% no ano.

O real, que havia despencado nos últimos anos em relação ao dólar, também deu um salto neste ano, de 24%.

O Brasil teve um desempenho impressionante num setor que vem se destacando em 2016, contrariando a previsão de analistas de que haveria uma continuação dos declínios observados nos mercados emergentes nos últimos anos.

Os juros baixíssimos ou até mesmo negativos nas principais economias do mundo estão fazendo os investidores se voltarem para os mercados em desenvolvimento em busca de retornos maiores. O fluxo de entrada de capital em títulos de mercados emergentes alcançou o recorde de US$ 14,1 bilhões em julho, segundo a EPFR Global, uma empresa que monitora esse tipo de dados.

Mas as próprias altas registradas nesses mercados estão deixando os investidores ansiosos. O motivo é que elas não foram acompanhadas das típicas reformas políticas ou recuperações econômicas vistas por muitos como uma condição necessária para investimentos de longo prazo nesses países.

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Alguns temem que os ganhos sejam um prenúncio de reversões acentuadas no caso de choques no mercado ou de uma alta sustentada nas taxas de juros, que poderiam redobrar as preocupações com o risco de que governos e empresas de países emergentes percam acesso de baixo custo aos mercados globais de títulos de dívida.

No Brasil, esse risco é substancial. O país está no meio de uma recessão e num momento de transição política, sem falar nas investigações da Lava-Jato.

Alguns investidores dizem que a economia atingiu o fundo do poço e está começando a se levantar. Dados da produção industrial divulgados nesta semana mostraram a maior expansão nos últimos três anos, com a balança comercial do país atingindo seu maior superávit desde 1992.

“As coisas começaram a dar uma virada no Brasil”, diz Sean Newman, gerente sênior de portfólio da gestora americana Invesco. Ele começou a ampliar suas aplicações em títulos do Brasil no começo deste ano. “A economia já atingiu o fundo,” prevê ele.

Outros investidores se concentraram no impeachment da presidente Dilma, apostando que Michel Temer, o presidente interino possivelmente até as eleições de 2018, iria favorecer políticas pró-mercado que poderiam ajudar a economia a retomar o crescimento. Entre as medidas do governo Temer vistas como possivelmente favoráveis está a proposta de uma emenda constitucional que estabelece um teto para os gastos públicos por 20 anos.

Esses investidores esperam que Temer possa seguir uma trajetória semelhante à do novo presidente da Argentina, Mauricio Macri, que chegou a um acordo com credores internacionais para encerrar uma longa disputa em torno de títulos soberanos não pagos e removeu barreiras para o investimento estrangeiro nas bolsas argentinas.

Com o voto do Reino Unido para deixar a União Europeia e muitos políticos americanos criticando acordos comerciais, alguns investidores dizem que pode ser mais fácil encontrar líderes pró-mercado em países emergentes.

“Você tem boa parte do mundo desenvolvido se movendo em direção ao populismo, enquanto a América Latina está pendendo para o centro”, diz Cullen Thompson, um dos fundadores e diretor de investimentos da Bienville Capital, gestora de recursos americana que administra uma carteira de US$ 1,2 bilhão. Os maiores investimentos da empresa estão no Brasil e na Argentina.

Céticos dizem que a alta no mercado brasileiro é alimentada mais por um sentimento de esperança do que qualquer sinal real de uma recuperação econômica sustentada. A economia deve registrar contração pelo segundo ano consecutivo. A inadimplência dos empréstimos bancários está subindo, enquanto a inflação permanece acima de 8% ao ano.

O processo de impeachment de Dilma continua, e Temer, seu potencial sucessor, tem baixos índices de aprovação. Ele foi envolvido na investigação sobre corrupção da Petrobras e Dilma o acusou de tentar organizar um golpe contra ela. Temer nega as acusações.

Joe Gubler, gerente de portfólio do fundo de investimentos Causeway Emerging Markets Fund, com US$ 3 bilhões em ativos, não acredita que a alta pode continuar. Ele deu pouco peso às ações brasileiras em sua carteira durante todo o período de alta.

“O quadro da macroeconomia do Brasil não é bonito”, diz ele. “Essa recuperação realmente tem base na esperança de que teremos reforma.”

As empresas brasileiras também estão entre as mais endividadas do mundo emergente, e analistas dizem que a capacidade delas de refinanciar essa dívida está intimamente ligada ao petróleo, sujeito a uma alta volatilidade, e a outras commodities.

Mas como o Brasil representa 7,5% do índice de mercados emergentes MSCI, qualquer investidor que dê pouco peso ao país em seu portfólio terá dificuldade em acompanhar seus pares. Em 14,25% ao ano, a Selic, a taxa básica de juros do Brasil, está entre as mais altas dos mercados emergentes e tem atraído investidores em busca de rendimentos maiores.

“Todo mundo ficou negativo [em relação ao] Brasil. Vimos isso nos noticiários e nas ruas, diz Verena Wachnitz, gerente do fundo de ações latino-americanas da administradora de recursos T. Rowe Price, o qual tem US$ 600 milhões sob gestão. “Mas isso acabou sendo o momento certo para comprar.”
Fonte: Wall Street Journal

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