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15 de abril de 2016 06:53

Dor psicológica existe?

Entenda sobre o assunto em mais um artigo de Luciana Hipólito.

Por Redação Silvia Helena
Dor psicológica existe / fotos: reprodução
Dor psicológica / fotos: reprodução

*Luciana Hipólito de Sousa Coêlho

Existe, é um sintoma muito frequente em pacientes que sofreram trauma físico e psicológico ao mesmo tempo. Ela pode ocorrer normalmente pessoas que sofreram algum acidente ou adquiriu alguma patologia de forma mais agressiva e durante o tratamento ela não recebeu acompanhamento psicológico. Tenho muitos casos de pacientes assim, e para falar sobre o assunto convidei a Doutora Melina Caddah, psicóloga, especialista em Gestalt Terapia com Ênfase em Psicologia Clínica. Ela também tem formação em Tanatologia e atua como psicóloga clínica de adolescentes, adultos e idosos há 5 anos e há 1 ano na área organizacional. A psicóloga realiza processos de recrutamento, seleção e treinamentos e tem vasta experiência com Avaliação Psicológica no âmbito Organizacional e vem contribuindo para a formação de outros psicólogos com palestras e cursos de formação.

De acordo com a doutora Melina a dor é uma experiência pessoal, única e subjetiva e que só podemos ter noção e conhecimento de suas dimensões a partir da comunicação do sujeito que sofre. Ela esclarece que essa dor indica que o emocional está prejudicado, pode vir ou não acompanhada de uma dor física e está diretamente ligada ao conceito de psicossomática, que acredita num conceito amplo de adoecer, onde vários saberes são integrados e a dicotomia mente/corpo não existe. É uma dor de origem emocional que pode ser sentida através de estímulos físicos amplificados pelo seu estado emocional de medo, ansiedade, etc.

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A dor é um sintoma para nos informar que algo esta errado como o nosso corpo, mas após comprovada a ausência de danos físicos, é importante encaminhar o paciente para o psicólogo, mas sabemos que nem todos os pacientes sofrem ou sofreram de dor psicológica. “Assim como todos os processos psicológicos, a dor é algo extremamente particular, onde precisamos ir além da dimensão neurológica, pois um mesmo estímulo pode ser assimilado de várias formas dependendo da pessoa e suas causas podem ser diversas e cada pessoa reage de uma forma diferente”, ressaltou.

A psicóloga explica que: “Geralmente todas as causas tem um foco na instabilidade emocional; por vezes um problema “físico” pode vir acompanhado de uma dor psicológica, sobretudo pelas novas condições de vida que ele trará. Um exemplo: um atleta sofre uma lesão grave e não poderá mais desenvolver a prática do esporte, que era a sua forma de sustento, sua profissão e sua realização como pessoa. Além da dor física, que pode ser tratara através de medicamentos e demais tratamentos fisioterapêuticos, essa condição trará um grande desgaste psicológico, podendo gerar um estado de dor emocional, onde o indivíduo pode passar a desenvolver sintomas físicos por conta do seu estado emocionaldebilitado. Geralmente quando há perda de identidade, de segurança, de realização pessoala dor psicológica pode surgir”.

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Ainda sobre as causas da dor ela ainda informa que pode surgir por conta dos ganhos secundários que o adoecer pode trazer, e forneceu como exemplo o fato de quando uma criança que tem pais ausentes sofre um acidente na escola, quebra um braço e precisa de cuidados diários para se alimentar, tomar banho e realizar outras necessidades. “A partir disso, os pais, que até então não eram presentes, passaram a acompanhar a criança durante todo o dia no seu processo de recuperação. Por mais que a criança se recupere fisicamente, por mais que seu braço esteja em pleno funcionamento, a chance de a criança desenvolver uma dor psicológica existe, pois dessa forma ela pode ter a presença dos pais. Isso é o que chamamos de ganho secundário, quando o adoecer traz benefícios maiores que o próprio reestabelecimento da saúde, sendo, nesse caso, o cuidado e atenção dos pais ausentes”, destacou.

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Esse tipo de dor pode atingir até as crianças? Qual a faixa etária para se adquirir a dor psicológica? Ela respondeu que:“Não existem estudos que correlacionem a incidência de dor psicológica com faixa etária, um outro mito sobre essa dor é que nem sempre que se tem a dor crônica é necessário ter a dor psicológica crônica, pois não entrar na cronicidade depende da capacidade emocional do paciente na elaboração do luto pela condição anterior de sadio e consequente adaptação à nova situação. O que acentua a psicodinâmica do doente crônico é a exposição à doença por tempo indeterminado. Como pontuado anteriormente, todas as dores são muito particulares, tudo depende da forma como o paciente lida com essa nova condição”.

Muita gente acredita ainda está doente por sentir a famosa dor psicológica, e para esclarecer sobre isso a doutora Melina explicou que essa dor surge por está diretamente ligada às emoções, levaremos em consideração que ela aparece nas mesmas estruturas cerebrais em que as emoções são processadas, destacando-se entre elas o Hipotálamo, a área Pré-Frontal e o Sistema Límbico e esse sintoma pode agravar-se quando não tratado inicialmente. “Por se tratar de um processo intimamente ligado com as emoções, é importante ir diretamente à causa, ou seja, reconhecer que condição emocional está sendo responsável ou contribuindo para o estabelecimento desse processo, pois reconhecer o problema é o primeiro passo para tratá-lo, logo é necessário procurar ajuda psicológica especializada em busca de autoconhecimento, resolução de conflitos, estruturação da identidade, aceitação das condições de vida, dentre outras situações que possam interferir no a evolução do paciente”, recomendou.

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A dor psicológica não possui classificação, mas para melhor entender sobre ela é importante conhecemos sobre sua origem e diferença entre a dor física. “A dor psicológica tem origem emocional, não se pode encontrar através de exames clínicos uma causa para a dor, essa seria a principal diferença das demais dores. No entanto, é um sintoma que no diagnóstico de outras doenças “orgânicas” pode atrapalhar, pois o profissional não consegue identificar uma causa puramente física através de exames clínicos, médicos, laboratoriais em geral”, disse.

Um dos maiores problemas causados pela dor psicológica que vivencio ao reabilitar meu paciente é a vontade do enfermo de continuar com o tratamento, por isso, quando percebo a manifestação desse problema sempre encaminho meu paciente ao psicólogo. Durante a conversa com a dr. Melina, ela explicou que essa dor pode trazer problemas em todas as áreas na vida do indivíduo, de acordo com a forma como ela se apresentar. “Pode interferir nas atividades profissionais ou acadêmicas, pode interferir nos relacionamentos, na vida social, na auto estima, no bem estar emocional, em todas as áreas; por isso o tratamento é de suma importância”, ressaltou.

6O tratamento desse problema requer muitos cuidados e às vezes pode ser demorado, com isso muitos de meus pacientes sentem a dúvida se realmente vão se curar desse problema. Para esclarecer sobre essa área da psicologia que é o tratamento, consultei a doutora para responder a essa pergunta:“Quando se fala de problemas psicológicos não é ideal que se fale em cura, pois não se trata de uma doença em si, e sim de uma condição que pode ser passageira ou não, de acordo com cada um. A terapia é de grande importância, como já citado acima. Trabalhar a origem da dor, as emoções de uma forma de geral, os possíveis ganhos secundários e as condições de vida diante do adoecer são pontos chaves. O resultado também é muito particular, vai depender de cada um, da forma como cada paciente vivencia a terapia. A psicologia pode promover o autoconhecimento, fazendo com que o individuo se compreenda melhor”, respondeu.

Um trabalho bem feito é um trabalho integralizado e humanizado. Sempre aproveito o espaço de minha coluna para trazer grandes profissionais da saúde para esclarecer as dúvidas que vivencio na vida de meus pacientes. Neste artigo falamos sobre um problema comum de se encontrar em pacientes que é achar que esta com algum problema de saúde por referir algum sintoma de dor sendo que possui a saúde física saudável. Muitos de meus atendimentos eu acredito ser importante ter a participação de um psicólogo. A psicologia é uma profissão que trabalha a parte do corpo que mais usamos, a mente. A doutora Melina encerra esta literatura com a mensagem de que o mais importante é saber reconhecer a legitimidade dessa dor. “A dor psicológica não é invenção, ela existe, tem um fundo emocional e pode interferir muito na vida de cada indivíduo. Para os que sofrem com essa condição, é importante aceitar e buscar tratamento e para as famílias é fundamental compreender e apoiar quem sofre em todas as etapas do tratamento”, finalizou.

luciana hipolitoLuciana Hipólito de Sousa Coêlho  é graduada em Fisioterapia com Especialidade em Fisioterapia em Terapia Intensiva -UTI em Fortaleza pela Inspirar com atualização em cardiorespiratório e capacitação em fisioterapia funcional neurológica (estimulação precoce e neuro-infantil) e capacitação em fisioterapia em terapia intensiva e cárdio-respiratória neonatal, infantil, e adulto em Fortaleza. Contatos: (86)98812-5950 / (86)99986-9101

 

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