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24 de julho de 2014 13:42

“Pantanal Alagoano” do Baixo São Francisco

Local é opção para imersão na cultura ribeirinha

Por Redação Silvia Helena

Pantanal Alagoano

Várzeas com enormes áreas para banho e pesca, vegetação exuberante, artesanato sustentável e uma culinária típica produzida com ingredientes locais. Essas características tornam a Área de Proteção Ambiental (APA) da Marituba do Peixe, conhecida como “Pantanal Alagoano”, uma surpreendente opção para aqueles que querem fazer uma imersão na cultura ribeirinha do Baixo São Francisco alagoano.

Uma das atividades que os visitantes pode participar é a pesca artesanal. Para isso, não faltarão lugares próprios que são conhecidos dos moradores, a exemplo da ponte sobre o rio Marituba, próxima ao povoado Marituba do Peixe.

O pescador José Carlos é morador da Marituba do Peixe e aproveita as cheias da várzea nos meses chuvosos para pescar. Segundo ele, além de proporcionar um pescado para alimentação da família, a pesca artesanal também é uma atividade que proporciona o relaxamento das tensões do dia a dia. “A pesca é um esporte legal, uma diversão e um alimento para a família, já que lá em casa todos gostam de peixe. Também aproveitamos o final de semana para trazer a família para o banho aqui perto da ponte”, afirmou.

José Carlos nasceu em outro povoado do município de Penedo, Cooperativa Primeiro Núcleo, mas desde criança vem com a família desfrutar as belezas naturais do Pantanal Alagoano. Já adulto, seguiu para trabalhar no Rio de Janeiro (RJ) e retornou há alguns anos para a cidade natal e mora onde ele definiu como um paraíso. “Aqui nós vivemos mais tranquilos, mais seguro. Respiramos um ar puro. Podemos criar animais como galinha. Sinto-me muito bem aqui neste paraíso”, declarou.

Outro atrativo do “Pantanal Alagoano” é o artesanato elaborado a partir da palha de ouricuri, uma palmeira típica da região. A arte do artesanato já pode ser conferida assim que se chega ao povoado Marituba do Peixe. Na porta das casas, famílias inteiras secam a palha ao sol, enquanto outros fazem do trançado bolsas belíssimas e ecologicamente sustentáveis, pois o material usado – a palha do ouricuri – é cultivado pelas próprias famílias de artesãos num terreno próximo à comunidade, em alguns trechos em consórcio com a mandioca.

A arte do trançado de ouricuri é uma tradição passada de mãe para filhas ou, em menor quantidade, para os filhos. Josilda dos Santos tem hoje 35 anos, mas desde criança aprendeu o ofício com a mãe. “Todos os meus irmãos também aprenderam e sabem fazer o artesanato, mas somente eu continuo. Tenho uma filha e um filho que vão seguir a tradição da família”, revelou.

A artesã produz com a palha de ouricuri diversos modelos de bolsas, que são entregues a compradores que a procuram em sua residência no povoado Marituba do Peixe, em valores que variam de R$ 5 até R$ 25.

A culinária local também encanta os visitantes. Produzida com ingredientes locais, como as espécies de peixes nativos, como o piau e a xira, e a mandioca colhida e beneficiadas nas casas de farinha comunitárias da região, as peixadas, o pirão de galinha de capoeira e os quitutes como a “macazada”, um bolo feito da goma da mandioca, são um espetáculo gastronômico à parte no “Pantanal Alagoano”.

Uma das quituteiras famosas do local é Valquíria Almeida, moradora do povoado Marcação. Segundo ela, o ofício foi ensinado por seus pais e hoje é uma fonte de renda para a família. “Aprendi ainda criança com meu pai e minha mãe a fazer diversas coisas como bolo de macaxeira, macazada, beiju, tapioca. Aos sábados, vendemos na feira de Penedo e, no domingo, vou para Piaçabuçu vender na feira de lá. Tudo que fazemos tem boa saída, mas a macazada é a mais procurada. Quando chego na feira, já tem gente me esperando. Muitas vezes tem turista que vem aqui somente comprar meus produtos”, afirmou bastante orgulhosa.

Pantanal Alagoano

Localizado entre os municípios alagoanos de Penedo, Piaçabuçu e Feliz Deserto, o “Pantanal Alagoano” é assim conhecido por estar situado numa área de várzea com 18.556 hectares, na qual há ocorrência de enchentes anuais provocadas pelos rios Piauí, Perucaba, Marituba e Camondongo. A APA é uma unidade de conservação estadual criada em 04 de março de 1988.

A área abriga em torno de 118 espécies de avifaunas, 48 piscícolas, 136 tipos de ervas medicinais. No local, existem 12 povoados que somam uma população de aproximadamente 7 mil habitantes.

Fonte: Codevasf

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